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6 de fevereiro de 2011

Suavidade



Suave é o suspiro 
em lânguida prostração...
Suave é o brilho
depois da paixão.
Suave é a voz
que se engana e diz não...
Suave é o encontro dos lábios,
e das mãos ao dividir a emoção... 

Suave é o delírio
em contrita oração...
Suave é o estribilho
durante a canção.
Suave somos nós
que fazemos de um não, sim.
Suave é o beijo de brisas
e dos lábios em comunhão.


(Jane Moreira e Gustavo Drummond)

Me satisfaz o que sou




Não quero causar impacto,
ser reconhecido na lua,
nem faço promessa, pacto,
sou comum, mente nua
exposta ao sabor do vento,
não ligo se gostem ou não,
traço meu próprio tempo,
entro em qualquer templo,
sou de todas religiões,
nasci em todas nações,
sei tão pouco, aprendo
sempre que lembro;
posso ser ninja, monje,
ativista, humanitário,
sou o perto do longe,
livre libertário.
não sou cruel demais,
sou amigo da paz,
me sacio com o quê
me satisfaz.
desconheço os porquês,
os ondes, as respostas,
sei apenas o que sei,
sou Atenas
ou
Esparta;
quem sabe?

(Gustavo Drummond)

Amor essencial



Amor é um caso sério,
envolvente mistério;
mesmo que leve anos,
seja leve como isopor,
frágil como recém nascido,
entre ganhos e danos,
enfeitiça a rubra flor,
solo estremecido,
solo de jazz,
sem temor ou culpa,
poliniza os versos,
fecunda estrelas,
gera sonhos diversos,
polpa de deliciosa fruta,
paz que predomina
pausa na guerra,
sensível, sublime,
transcende a terra,
ultrapassa a razão,
coisas do coração!...

(Gustavo Drummond)

Lembranças




Eu lhe trouxe de Bangladesh
versos em latim, acadêmicos,
tecidos de seda, natural,
perfumes nativos, amadeirados,
flores conservadas, em cristal,
fotos em terceira dimensão,
(te amo sem dimensão)
pássaros virgens, calados,
um céu de estrelas, recente,
jóias artesanais, pura arte,
um cantar afro, silente,
beijos cristalizados, sem alarde,
vasos de petróleo, importados,
de alta combustão, domados,
saltos de couro de leopardo,
um oásis fértil, de meu amar.

(Gustavo Drummond)

Flor(ir)




O poeta vai esculpindo o poema

No chão bordado de pétalas
Mãos-terra-fecundação 
No solo-árvore do corpo
O poema reencontra a matéria
Artéria- pulsação-vida
A obra nasce florida.
A musa vai espalhando inspiração
No céu tecido de pérolas
Mente-empatia-sementes
No colo-jardim da alma
A diva renova-se dócil
Matéria-fecundação-vício
Flores aromam a vida!

(Marly Ferreira-Gustavo Drummomd)

Entrega




Carregava flores 
nas mãos...
Na pele uma cicatriz
estampada.
A alma banhada de
silêncios...
O olhar marejado de
sal e brisa...
No peito, ainda pulsa
um coração.
Levava versos
na mente
na alma uma diretriz
planejada
A pele banhada de
sândalo
O sorriso escorrendo
pérola e mel
no coração, ainda bate
seu pulso.

(Marly Ferreira/Gustavo Drummond)

Ah... Se eu soubesse!...




Tivesse eu, o dom de um poeta líríco,
com lírios, desenhar versos latentes,
fosse um menestrel, afinado e típico,
em escrever sobre o amor da gente,
sensação indescritível, tão insensata,
turbilhão avassalador que transforma,
teceria um véu de ouro branco e prata,
num sopro, daria vida mais viva, forma
concreta ao sentimento maior, aflorado,
ainda que silente, soubesse dizer calado,
frases bonitas, de pura emoção e torpor,
te faria um poema erudito, bem escrito,
onde contasse de meu indizível amor,
traços firmes, alegres, ornado manuscrito,
que te desse um milésimo de felicidade,
te encantasse, te levasse a sorrir,
feliz seria, por ter a capacidade,
de seu coração dócil, atingir.

(Gustavo Drummond)

A vida não pode parar



Em ciclos variados,
circos armados,
várias estações,
segue a vida,
vivas flutuações,
oscila os sentimentos,
pende, com os sentidos
apontando para o centro,
variáveis momentos,
tormentos consentidos,
bem lá dentro,
o coração opina,
alma pondera,
as vezes desatina
a vida não espera,
nem existe outra safra,
o agora é o presente,
única certeza. A lavra
se esgota um dia ignorado;
é viver tudo que se sente,
enquanto não for passado!

(Gustavo Drummond)

Gueixa




Mais linda, suave, delicada,
olhos de cerejas saborosas.
traços finos, delgados passos,
pronta para ser amada,
dança, elegante,
entoa cantos, afinada.
quase levita,
mulher-colibri,
contornos, traços,
doce semblante
de pôr do sol,
nascente alegria
imagem bonita,
de porcelana,
delgado encantar;
se engalana,
sonha, arde,
cedo cede,
cai a seda,
se transforma,
sôfrega, maliciosa,
No tatami, ao amar.

(Gustavo Drummond)

Quando você vier



A hora que puder e quiser
venha voando pra mim,
traga seu sorriso de festa,
seu olhar de domingo, colorido,
e tudo mais que tiver.
Chegue armada de um sim,
com toda atenção que se presta
num instante enternecido.
Vista seu vestido rosa pálido,
permanente perfume natural,
pode trazer menta no hálito,
beijo, com seu jeito sensual,
aquela música que dançamos,
na última chuva da estação,
todos momentos que ficamos
em sagrada e profana comunhão.

(Gustavo Drummond)

5 de fevereiro de 2011

Busca




Quero um sentimento
que me defina,
uma palavra que confunda,
um verbo que desatina,
fogo que inunda,
pássaro de porcelana,
ícone definitivo,
o meio da semana,
milagroso lenitivo.

Quero um tormento
que me desatine,
a paixão mais profunda,
uma prece que redime,
barco que não afunda,
a doçura da cana,
poder de um sensitivo,
o perfume que emana,
o amor imperativo.


(Gustavo Drummond)

Afins



Sob tua pele –desejo
Há uma poesia incrustada
Melodia-som-pensamento 
Uma flecha em movimento
Rasgando a alma das palavras.
Sobre a tua pele- beijo
Há um sabor absorvido
Sinfonia-tom-encantamento
Um amor em deslumbramento
Colando as fases das safras.




[Marly Ferreira/Gustavo Drummond]

Ser



As flores de meu quintal,
não as guardo em gaiolas,
vivem livres, seus conceitos,
textura, cor, aroma, postura,
metódicas, acordam cedo; mal
o sol ameaça surgir, uma bola
de fogo alaranjada, saida do leito;
admirando meu jardim de candura.
As flores de minha casa, vivem expostas,
odeiam vasos, arranjos, funébres coroas,
ficam tácitas, visíveis, nuas, a mostra,
cantanto cântiga, que pelos vales, ecoa.
Em ocasiões festivas vestem trajes de gala,
Aceitam, não sem dor, ornar a sala,
serem vistas e admiradas, por olhares
desconhecidos, tocadas por mãos impuras,
estáticas em luxuosos, quase santos altares,
como se fossem exóticas criaturas.



(Gustavo Drummond)



Empatia



Combinação perfeita,
integração de dados,
complementam-se mútuos,
afinidades nas divêrgências,
falhas aceitas,
sempre acordados,
mesma convergência,
almas afins,
corações sobrepostos,
não se faz sim,
solidários nos opostos,
se merecem, se admiram,
seguem um só mapa,
trilham idêntico norte,
vestem branca capa;
não pode ser sorte;
vai bem além,
amor em duas vias,
prosa, poesia,
dizendo amém!


(Gustavo Drummond)

Um canto quase triste



Canto deste jeito,
talvez por ser triste,
porque você existe
o coração exige
o tempo é exíguo
canto ...

Em si
lá no meu interior
cedo ou tarde
como se
houvesse amor
a noite domina
suave alarde
ou quase ...

Sonora quimera
sinistro lamento
toada liberta
violão acustíco
acordes
para te fazer dormir
sempre maravilhosa
mulher ainda
futura menina
cantar de rosas
canto infindo
bem-vinda
tão linda
persiste
insistente
um cantar quase triste!...


(Gustavo Drummond)